‘Ter filhos passou a ser uma decisão planejada’, diz professor sobre queda nos nascimentos em Goiás

Dez 15, 2025 - 18:01
Dez 15, 2025 - 18:05
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‘Ter filhos passou a ser uma decisão planejada’, diz professor sobre queda nos nascimentos em Goiás

“Ter filhos deixou de ser um evento esperado em idades mais jovens”, avalia professor

Além da conjuntura econômica, o professor destaca fatores socioeconômicos e culturais que ajudam a explicar a queda contínua no número de nascimentos. Entre eles estão o aumento do custo de criação dos filhos, a insegurança de renda, a insuficiência de políticas públicas de cuidado e as transformações nas trajetórias conjugais. Ele ressalta ainda a baixa corresponsabilização masculina no trabalho doméstico e no cuidado com os filhos como um elemento que pesa especialmente sobre as mulheres. Nesse contexto, mudanças nos valores sociais também desempenham papel central. “Ter filhos deixou de ser um evento esperado em idades mais jovens. Passou a ser uma decisão planejada, associada à renda, à rotina de trabalho e à existência de apoio familiar ou institucional”, afirma.

No Brasil, a queda de 5,8% nos nascimentos em 2024, a maior em duas décadas, indica um aprofundamento desse comportamento demográfico, após seis anos consecutivos de retração. Para o professor, oscilações pontuais, como o crescimento observado em 2023, não alteram a tendência de longo prazo. Ele explica que processos demográficos não evoluem de forma linear e sofrem influência de ciclos econômicos. Em períodos de maior incerteza, como o pós-pandemia, é comum que decisões relacionadas à formação familiar sejam adiadas.

Crescimento da população idosa em Goiás

Outro ponto destacado pelo pesquisador é o crescimento acelerado da população idosa em Goiás. De acordo com dados do IBGE citados por ele, em 2010 o estado tinha pouco mais de 500 mil pessoas com 60 anos ou mais, número que hoje se aproxima de 1 milhão. “Países desenvolvidos levaram cerca de 100 anos para dobrar a população idosa. Em Goiás, isso ocorreu em aproximadamente uma década”, observa. Essa aceleração impõe desafios significativos ao sistema de saúde, à proteção social e à organização das políticas públicas, especialmente em um contexto marcado por desigualdades socioeconômicas.

Expectativa para os próximos anos

Para os próximos anos, a expectativa, segundo o professor Paulo Henrique Cirino Araújo, é de continuidade da redução da fecundidade e avanço do envelhecimento populacional. Ele defende o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, da atenção primária e das redes de cuidado de longa duração como respostas essenciais a esse novo cenário. O pesquisador também cita iniciativas em andamento, como o Programa Viver Mais Goiás, desenvolvido em parceria com o Conselho Estadual da Pessoa Idosa e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, voltado ao apoio e à qualificação de gestores municipais para o planejamento de políticas públicas destinadas à população idosa.

Na avaliação do professor, o debate sobre os dados do IBGE vai além dos números e exige escolhas coletivas. Para ele, o envelhecimento populacional não é um problema restrito a um grupo específico, mas uma realidade que afetará toda a sociedade. “O envelhecimento é uma fase da vida que todos nós esperamos vivenciar. É fundamental garantir que essa etapa seja vivida com proteção, autonomia e qualidade de vida”, conclui.

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